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Consciência Fonológica: desenvolvendo a habilidade de rima na alfabetização

  • Foto do escritor: Joarita Nazaro Dauwe (Jô)
    Joarita Nazaro Dauwe (Jô)
  • 25 de mar.
  • 3 min de leitura

Dentro do desenvolvimento da Consciência Fonológica, as rimas ocupam um lugar importante na progressão das habilidades linguísticas.


Após os jogos auditivos, que estimulam a escuta e a discriminação de sons não verbais e verbais, a consciência de rimas surge como uma das primeiras formas de análise da língua. Nesse momento, a criança começa a perceber semelhanças sonoras entre palavras, sem ainda precisar segmentar sílabas ou manipular fonemas isolados.


Essa habilidade marca uma transição importante: saímos de uma escuta mais ampla e avançamos para uma escuta mais analítica, ainda que de forma inicial, por meio de jogos orais e coletivos que estimulam a atenção auditiva, a discriminação de rimas, a memória verbal e a percepção de ritmo, entonação e prosódia.


Essas capacidades são pré-requisitos importantes para que a criança possa, mais adiante, segmentar palavras, entender a estrutura silábica e manipular sons dentro das palavras.



Como organizar o trabalho com rimas em sala de aula?

O trabalho com rimas deve ser planejado de forma sistemática, progressiva e intencional.


Frequência e tempo

Os jogos são realizados diariamente, com duração média de 30 minutos.


Organização da turma

As estratégias são realizadas com toda a turma, em pequenos grupos ou em duplas.


Intencionalidade pedagógica

Antes de cada estratégia, é fundamental ter entendimento sobre o que está sendo estimulado. A observação das respostas das crianças deve orientar o planejamento.


Sequência progressiva para o desenvolvimento da rima

O ensino das rimas respeita uma progressão de complexidade. 



Nível 1 – Apreciação e escuta atenta das rimas

Neste primeiro momento, o foco está na imersão auditiva.A criança é exposta a cantigas, parlendas e poemas, sem exigência de resposta. O objetivo é desenvolver a atenção e a discriminação auditiva das rimas, a sensibilidade à musicalidade da língua e o prazer pelos sons.


Nível 2 – Identificação de rimas

A criança passa a reconhecer quando duas palavras rimam.


Os jogos envolvem a comparação dos sons finais das palavras. Ainda não há foco em letras ou segmentação, mas sim na percepção dos sons finais.


Uma observação importante: não devemos utilizar palavras escritas. Podemos usar imagens ou promover a identificação por meio de palavras faladas ou lidas pelo professor.


Exemplos: identificar rimas em um texto lido; parear imagens que rimam (sem apoio da palavra escrita); responder a questionamentos como: janela rima com panela?


Nível 3 – Exclusão: qual palavra não rima?

Neste nível, a criança é desafiada a identificar, entre um conjunto de palavras, aquela que não rima.


Essa etapa exige maior atenção, memória e análise auditiva, fortalecendo a discriminação dos sons finais.


Exemplo: mamão, melancia, pão. Qual não rima?



Nível 4 – Produção com apoio

Aqui, a criança começa a produzir rimas com suporte do adulto.


São propostas como:

• completar rimas;

• resolver charadas rimadas;

• continuar sequências sonoras de músicas rimadas.


Há maior envolvimento cognitivo, mas ainda com apoio estruturado.


Nível 5 – Produção livre de rimas

No nível mais avançado, e também mais difícil, que recruta mais subsistemas cognitivos, a criança passa a produzir rimas. Ou seja, responde: o que rima com janela?


Ela pode:

• criar palavras que rimam com uma palavra ou imagem apresentada pelo professor;

• produzir e recitar versos rimados;

• explorar rimas em atividades orais.


Essa etapa representa o ápice da construção fonológica nesse eixo.


Um trabalho com ciência, prática e intencionalidade.


Os jogos com rimas são orais, coletivos e lúdicos, mas não são aleatórios.

Quando planejados com intencionalidade e organizados em uma sequência progressiva, promovem o desenvolvimento de bases sólidas para a alfabetização.

Trabalhar com rimas é, portanto, muito mais do que brincar com palavras. É iniciar a criança no processo de análise da língua, desenvolvendo habilidades fundamentais para a compreensão do sistema de escrita alfabética.



Joarita Nazaro Dauwe

Fonoaudióloga | Fonoletrar

Ciência que guia, prática que ensina e afeto que sustenta o aprender. 


 
 
 

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