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Consciência Fonológica: o viés linguístico da alfabetização

  • Foto do escritor: Joarita Nazaro Dauwe (Jô)
    Joarita Nazaro Dauwe (Jô)
  • há 7 horas
  • 3 min de leitura

A alfabetização precisa assumir, de forma explícita, seu viés linguístico. Durante esse processo, a língua deixa de ser apenas meio de comunicação e passa a ser objeto de reflexão, análise e reorganização.

Como afirma Koerner (2016), “Durante a alfabetização, a língua é destrinchada, dilacerada, deformada e reformada.”

Essa afirmação traduz exatamente o que acontece quando a criança começa a aprender a ler e escrever: ela passa a pensar sobre a língua, a observar sua estrutura e a compreender que a fala é organizada em partes menores. Esse raciocínio linguístico está diretamente vinculado aos aspectos fonológicos da linguagem, conhecidos como Consciência Fonológica.


O que é Consciência Fonológica?

A Consciência Fonológica é um ramo da competência metalinguística, entendida como a capacidade de refletir sobre a própria linguagem. Trata-se de um conjunto de habilidades que permite à criança compreender e manipular as unidades sonoras da língua, segmentando unidades maiores em unidades menores.


Em termos práticos, desenvolver Consciência Fonológica significa levar a criança a perceber que:

● a fala é composta por frases;

● as frases são compostas por palavras;

● as palavras são formadas por sílabas;

● uma mesma sílaba pode aparecer no início, no meio ou no fim das palavras;

● ao trocar a ordem das sílabas, formamos novas palavras;

● ao acrescentar ou retirar sílabas, a palavra se modifica;

● as sílabas são compostas por unidades ainda menores: os fonemas, que se relacionam aos grafemas na escrita.


Essa compreensão não acontece de forma espontânea para todas as crianças. Ela precisa ser ensinada, vivenciada e estimulada de maneira intencional ao longo do processo de alfabetização.

Consciência Fonológica na infância

Considerando sua importância para a aprendizagem da leitura e da escrita, o desenvolvimento das habilidades de Consciência Fonológica deve estar presente de forma sistemática nos anos finais da Educação Infantil e nas turmas de Primeiro e Segundo Ano do Ensino Fundamental.


O estímulo dessas habilidades precisa partir de algumas premissas fundamentais:

● oralidade como eixo central;

● ludicidade como estratégia pedagógica;

● atividades coletivas, que favoreçam a escuta, a interação e a participação;

● foco em estímulos auditivos, antes da ênfase no registro escrito;

● ações diárias e sistemáticas, com intencionalidade pedagógica.


A prática diária dessas estratégias é essencial. As atividades de Consciência Fonológica devem ocorrer todos os dias, respeitando o nível de desenvolvimento da turma e a progressão das habilidades.

Oralidade e ludicidade não são complementos do ensino. Elas são o caminho para que a criança construa representações sonoras estáveis e desenvolva as bases necessárias para a alfabetização.

Como fazer na prática da sala de aula? 

Na prática pedagógica, o trabalho com a Consciência Fonológica deve respeitar uma sequência de habilidades, organizada de acordo com o grau de complexidade de cada uma delas. Os jogos seguem essa progressão, avançando das habilidades mais amplas para as mais específicas.

É possível, sim, adaptar o percurso: pular alguns jogos, retomar outros ou acrescentar novas propostas. No entanto, a habilidade que está sendo trabalhada no momento, ou seja, o objetivo principal, deve ser sempre mantida.

O professor precisa permanecer em cada habilidade até que seus alunos estejam aptos a avançar, demonstrando evolução e maior domínio daquela competência. Somente após esse avanço é que se recomenda seguir para o estímulo da próxima habilidade de Consciência Fonológica.

Ao final do ano letivo, espera-se que as crianças tenham tido contato e experiências sistemáticas com todas as habilidades de Consciência Fonológica, respeitando o ritmo e as necessidades da turma.


Habilidades de Consciência Fonológica

● Jogos Auditivos

● Rimas

● Consciência de Palavras e de Frases

● Consciência Silábica

● Consciência Fonêmica


Nos próximos artigos, trarei cada habilidade de Consciência Fonológica de forma aprofundada, com conceitos bem fundamentados e sugestões práticas de jogos e estratégias para serem desenvolvidas na sala de aula, respeitando a progressão das aprendizagens e a realidade do professor alfabetizador.

Seguimos juntos, transformando ciência em prática pedagógica possível. 



Joarita Nazaro Dauwe



Referenciais utilizados e sugeridos:

ADAMS, J. Consciência Fonológica em crianças pequenas. Porto Alegre: Artmed, 2006.

KNOBEL, K. A. B., NASCIMENTO, L. C. R. Habilidades Auditivas e Consciência fonológica: da teoria à prática. Barueri: Pró-Fono, 2010.

KOERNER, R. M. O Viés Linguístico da Alfabetização: uma proposta para a formação de professores alfabetizadoes, in: Alfabetização na perspectiva do letramento: letras e números nas práticas sociais. Organizadores, Evera ldo Silveira ...[et al.] Florianópolis: UFSC/CED/NUP, 2016. 388p.

PICOLI, L., CAMINI, P. Praticas Pedagógicas em Alfabetização: espaço, tempo e corporiedade. Erechim: Edelbra, 2012.

 
 
 

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